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Encontrando Seu Caminho pelos Livros
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Quando você compreende que a Bíblia é uma única história narrada por meio de 66 livros diferentes, a próxima questão prática é: como esses livros estão organizados e o que devo saber antes de começar a ler um deles? Essas não são perguntas menores. A organização da Bíblia pode confundir até leitores experientes, e abrir um livro sem nenhuma orientação é como entrar em uma conversa que já está acontecendo há uma hora. Você pode ouvir as palavras, mas pode perder o significado por completo. Esta seção lhe dará as ferramentas para se orientar antes de ler e para entender por que os livros estão organizados da maneira que estão.
O Antigo Testamento está dividido em quatro grandes seções. A primeira é a Lei, também chamada de Pentateuco ou Torá, que consiste nos cinco livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esses livros lançam o fundamento para todo o restante. Eles nos apresentam a criação, a queda, os patriarcas, o êxodo do Egito, a aliança no Sinai, as leis que regem a adoração e a vida de Israel, e a jornada em direção à terra prometida. Se você quer entender qualquer parte do restante da Bíblia, esses cinco livros são onde o vocabulário fundamental é estabelecido.
A segunda seção do Antigo Testamento é a história. Livros como Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester traçam a história de Israel desde a conquista de Canaã, passando pelo período dos reis, a divisão do reino, o exílio na Babilônia e o retorno à terra. Esses não são simplesmente registros de eventos políticos. São relatos teológicos, que mostram como a fidelidade ou infidelidade de Israel a Deus moldou o curso de sua história.
A terceira seção é a poesia e a sabedoria. Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos pertencem a ela. Esses livros falam às experiências humanas mais profundas: o sofrimento, a adoração, a sabedoria para a vida cotidiana, a busca pelo significado e o amor. Os Salmos, em particular, são o livro de orações e o hinário do povo de Deus, e são citados no Novo Testamento com mais frequência do que quase qualquer outro livro do Antigo Testamento.
A quarta seção é a dos profetas, dividida por convenção em profetas maiores (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel) e os doze profetas menores (Oseias a Malaquias). A distinção entre maior e menor é simplesmente uma questão de extensão. Um profeta menor não é menos importante do que um maior. Amós ou Miquéias podem conter uma única passagem que desvenda um ensinamento central do Novo Testamento. Os profetas falaram durante os períodos registrados nos livros históricos, o que significa que ler um profeta junto com os livros históricos correspondentes enriquecerá muito sua compreensão de ambos.
O Novo Testamento se abre com os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Cada um apresenta a vida, o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Eles cobrem eventos sobrepostos, mas cada escritor seleciona e organiza seu material com um propósito e um público distintos em mente. Mateus escreve tendo em vista um público judeu e frequentemente conecta Jesus à profecia do Antigo Testamento. Marcos avança rapidamente e enfatiza a ação. Lucas é detalhado e ordenado, com uma preocupação particular pelos gentios, pelas mulheres e pelos pobres. João é teológico e reflexivo, escrito para "que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (João 20:31, ARC).
Após os Evangelhos vem Atos, que registra o nascimento da igreja no Pentecostes e a propagação do evangelho por meio do ministério de Pedro, Paulo e outros. Atos é a ponte entre os Evangelhos e as cartas. Ele mostra a igreja sendo estabelecida nas mesmas cidades às quais as cartas foram posteriormente escritas. Ler Atos antes de ler as cartas aos Romanos, Coríntios ou Gálatas lhe dará um senso muito mais claro das situações que essas cartas estavam abordando.
As cartas, também chamadas de Epístolas, compõem a maior seção do Novo Testamento. Paulo escreveu a maioria delas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom. Outras cartas incluem Hebreus (cuja autoria é incerta), Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas. Cada carta foi escrita a uma pessoa real ou a uma comunidade real, em uma situação real. É possível ler uma carta sem saber nada sobre seu destinatário ou sua ocasião, mas conhecer essa ocasião abrirá consideravelmente o seu significado.
O Novo Testamento se encerra com Apocalipse, um livro profético e apocalíptico dirigido a sete igrejas na Ásia Menor, repleto de visões e símbolos amplamente extraídos do Antigo Testamento. É um dos livros mais mal interpretados da Bíblia, em grande parte porque os leitores o abordam sem o contexto do Antigo Testamento que ele pressupõe. A paciência e a leitura cuidadosa serão recompensadas.
É essencial compreender que a ordem dos livros da Bíblia não é um único relato cronológico ininterrupto. Crônicas revisita a mesma história coberta em Samuel e Reis, frequentemente de uma perspectiva diferente e com ênfases distintas. Os profetas atuaram durante os períodos descritos nos livros históricos, mas aparecem em uma seção separada. Os quatro Evangelhos cobrem o mesmo período da vida de Jesus sob quatro ângulos diferentes. Atos registra a igreja primitiva enquanto Paulo e outros escreviam simultaneamente cartas para as mesmas igrejas que Atos descreve. A organização da Bíblia não é primariamente cronológica. É categórica, agrupando os livros por tipo para que os leitores possam encontrá-los.
Antes de abrir qualquer livro da Bíblia, vale a pena fazer uma pausa para formular um conjunto de perguntas orientadoras. Quem escreveu este livro, se soubermos? Quem o recebeu primeiro? O que estava acontecendo no mundo deles quando foi escrito? Por que foi escrito e o que o escritor está tentando realizar? Essas perguntas nem sempre terão respostas simples. Alguns livros identificam claramente seu escritor. Outros carregam uma atribuição tradicional aceita por séculos. Alguns livros não nomeiam seu escritor de forma alguma. É importante ser honesto sobre essas distinções. Não apresente uma autoria incerta como um fato estabelecido, mas também não permita que a incerteza o impeça de ler cuidadosamente com qualquer orientação disponível.
A própria Bíblia nos dá exemplos de escritores que receberam e interagiram com a Escritura anterior. Daniel, lendo no exílio, reconheceu a profecia de Jeremias: "No primeiro ano do seu reinado, eu Daniel entendi pelos livros o número dos anos, a respeito do qual veio a palavra do SENHOR ao profeta Jeremias, que ele completaria setenta anos nas desolações de Jerusalém" (Daniel 9:2). Daniel não estava lendo história antiga com curiosidade distante. Ele estava lendo uma palavra de Deus que falava diretamente à sua própria situação, e respondeu com oração e jejum. O apóstolo Pedro, escrevendo perto do fim de sua vida, referiu-se às cartas de Paulo como parte do corpo da Escritura, reconhecendo a sabedoria dada a Paulo e ao mesmo tempo advertindo que alguns estavam distorcendo seus escritos: "como também as outras Escrituras, para a própria perdição deles" (2 Pedro 3:16). Os escritos bíblicos não são vozes isoladas. Estão em diálogo uns com os outros, citando, explicando e edificando sobre o que veio antes.
Os Evangelhos e as cartas do Novo Testamento estão repletos de citações e alusões ao Antigo Testamento. Reconhecer essas conexões transformará a sua leitura. Quando Paulo escreve "está escrito" e então cita Isaías ou os Salmos, ele não está simplesmente acrescentando ornamentos ao seu argumento. Ele está mostrando que o que Deus fez em Cristo é o cumprimento do que Deus prometeu por meio dos profetas. Aprender a rastrear essas conexões é uma das grandes recompensas de crescer no conhecimento bíblico.